quantas máscaras ainda me restam. acho que vou precisar de umas várias ainda, sim. talvez para a vida inteira. talvez só no momento da morte eu dê a cara à tapa. literalmente, tapa até sentir sangue quente escorrer. e aí, talvez, eu poderei ter algum ato de coragem. algum ato de coragem por morrer, depois de uma vida de sombra e covardia.
eu até tentei me mudar - correção eu até tento me mudar - mas eu só sinto ódio. de mim para mim. do mundo, só trago a desolação.
a maldita desolação.
ah vai, me diz... me pinta umas máscaras, ah vai... que triste é o fim que não teve começo.
setembro 03, 2008
agosto 03, 2008
me diz, você:
e agora, o que vem?
será justo colocar toda a causa dessa angústia em possíveis hormônios descontrolados? ser triste e ser mulher é uma coisa um tanto difícil. difícil de saber se está triste por estar ou se tem uma explicação biológica para isso. acho isso um tanto chato. deve ser por isso que descarto biologia das minhas opções para o futuro - mesmo fazendo e gostando Meio Ambiente. gosto das sensações sem lógica, prefiro a alma ao corpo. e por que alminha, alma minha, está assim tão acizentada? parece que o humor muda com o tempo que faz lá fora. parece que o céu comanda nosso coração. mas essa perspectiva é também um tanto naturalista. oras bolas! por que diabos eu tento achar explicações - mesmo que sejam abstratas - para os meus sentimentos? deixem-me sentir, assim, por si só. mesmo que for insuportável, sentir o intolerável... se derramar em lágrimas enquanto a chuva ameaça vir. vem, chove... chove até nunca mais. que venham as tempestades.
será justo colocar toda a causa dessa angústia em possíveis hormônios descontrolados? ser triste e ser mulher é uma coisa um tanto difícil. difícil de saber se está triste por estar ou se tem uma explicação biológica para isso. acho isso um tanto chato. deve ser por isso que descarto biologia das minhas opções para o futuro - mesmo fazendo e gostando Meio Ambiente. gosto das sensações sem lógica, prefiro a alma ao corpo. e por que alminha, alma minha, está assim tão acizentada? parece que o humor muda com o tempo que faz lá fora. parece que o céu comanda nosso coração. mas essa perspectiva é também um tanto naturalista. oras bolas! por que diabos eu tento achar explicações - mesmo que sejam abstratas - para os meus sentimentos? deixem-me sentir, assim, por si só. mesmo que for insuportável, sentir o intolerável... se derramar em lágrimas enquanto a chuva ameaça vir. vem, chove... chove até nunca mais. que venham as tempestades.
maio 22, 2008
dos dias que quase não dormi,
porque vi Cama de Gato, Baixio das Bestas e Irreversível.
Vamos excluir Irreversível, e deixar nossos queridos nacionais. Não acho que todo mundo tenha estrutura e ânimo para vê-los. Não acho nem que o mundo todo precise vê-los. Acho que certas pessoas sim, para ver se esboça nelas um mínimo de reação. Reação pelo coletivo. Diferente de chorar porque o carinha largou a menininha, chorar porque é real, e é cruel, mas que nunca vai acontecer com você, pelo menos não sendo a vítima. Mas o fato é que acontece em outros lugares... e é impossível ignorar isso. Sentir aquela sensação de ser um grão de areia, de incapacidade, de que o mundo não tem solução, de que o ser humando é a pior criatura (e que se Deus existe, não faria tanta coisa ruim num ser só) - acompanhado de uma depressão, que se não tiver desprendimento o bastante, é capaz de levar à loucura. Acho fascinante, porém, que sejam nacionais. Para contrariar todos os jargões que brasileiro é babaca. Babaca é o filhodaputa que insiste em repetir isso. Como alguém disse outro dia, não existe brasileiro. O que existe são humanos, que são universais, e principalmente, inclassificáveis. De quem a gente diz quando se refere ao 'jeitinho brasileiro'? Ao povão? E que somos nós, então? Brasileiros esclarecidos, europeus ou americanos que, por incoerência do destino, nascemos no lugar errado? Vamos fazer o favor de esquecer essa história maldita que persegue toda nossa história. E a nossa história é sangrenta, suja, enfeitada para que se engane. O que existe é um povo enganado, estrupiado. E que cada vez mais não sabem o que é sofrer por uma causa conjunta, tentar mudar pelo todo, se alegrar por uma conquista popular - tirando os jogos da seleção. Isso que faz de uma nação, fraca e suscetível, individualista e sem perspectiva de futuro. Não há coletividade. E não estamos falando de periferia, esqueça a guerra do tráfico, a tropa de elite, a cidade de deus e o caralho todo. Estamos falando de garotos ricos. De garotos RICOS. Não saberia nem adjetivar eles de outro modo. Não digo que só garotos ricos que são ruins, e pobres são bons. Mas a questão é que todos eles estão aí na rua, praticando crueldades, soltos, mas o que fode no garoto rico é que, você sabe, ele sempre vai se safar. O pobre vai se foder, isso é invariavelmente certo, mas os outros...? E é nessa ferida que esses filmes - ma-ra-vi-lho-sos - tocam. Assim como Amarelo Manga.
Dos filmes mais assustadores e arrebatadores que eu vi, de te derrubar, realmente.
Mas que vale a pena - e eu já dei motivos o bastante para isso.
Só por favor, pelo menos, que tenham reação! Nem que seja inútil, é preciso querer reação!
Por isso que eu queria - e como queria - um dia conversar com ocê, Caio Blat.
Vamos excluir Irreversível, e deixar nossos queridos nacionais. Não acho que todo mundo tenha estrutura e ânimo para vê-los. Não acho nem que o mundo todo precise vê-los. Acho que certas pessoas sim, para ver se esboça nelas um mínimo de reação. Reação pelo coletivo. Diferente de chorar porque o carinha largou a menininha, chorar porque é real, e é cruel, mas que nunca vai acontecer com você, pelo menos não sendo a vítima. Mas o fato é que acontece em outros lugares... e é impossível ignorar isso. Sentir aquela sensação de ser um grão de areia, de incapacidade, de que o mundo não tem solução, de que o ser humando é a pior criatura (e que se Deus existe, não faria tanta coisa ruim num ser só) - acompanhado de uma depressão, que se não tiver desprendimento o bastante, é capaz de levar à loucura. Acho fascinante, porém, que sejam nacionais. Para contrariar todos os jargões que brasileiro é babaca. Babaca é o filhodaputa que insiste em repetir isso. Como alguém disse outro dia, não existe brasileiro. O que existe são humanos, que são universais, e principalmente, inclassificáveis. De quem a gente diz quando se refere ao 'jeitinho brasileiro'? Ao povão? E que somos nós, então? Brasileiros esclarecidos, europeus ou americanos que, por incoerência do destino, nascemos no lugar errado? Vamos fazer o favor de esquecer essa história maldita que persegue toda nossa história. E a nossa história é sangrenta, suja, enfeitada para que se engane. O que existe é um povo enganado, estrupiado. E que cada vez mais não sabem o que é sofrer por uma causa conjunta, tentar mudar pelo todo, se alegrar por uma conquista popular - tirando os jogos da seleção. Isso que faz de uma nação, fraca e suscetível, individualista e sem perspectiva de futuro. Não há coletividade. E não estamos falando de periferia, esqueça a guerra do tráfico, a tropa de elite, a cidade de deus e o caralho todo. Estamos falando de garotos ricos. De garotos RICOS. Não saberia nem adjetivar eles de outro modo. Não digo que só garotos ricos que são ruins, e pobres são bons. Mas a questão é que todos eles estão aí na rua, praticando crueldades, soltos, mas o que fode no garoto rico é que, você sabe, ele sempre vai se safar. O pobre vai se foder, isso é invariavelmente certo, mas os outros...? E é nessa ferida que esses filmes - ma-ra-vi-lho-sos - tocam. Assim como Amarelo Manga.
Dos filmes mais assustadores e arrebatadores que eu vi, de te derrubar, realmente.Mas que vale a pena - e eu já dei motivos o bastante para isso.
Só por favor, pelo menos, que tenham reação! Nem que seja inútil, é preciso querer reação!
Por isso que eu queria - e como queria - um dia conversar com ocê, Caio Blat.
maio 04, 2008
Assinar:
Postagens (Atom)