novembro 04, 2008

estamos bem mesmo sem você.

Anche Libero va Bene.

Minha mãe disse que a língua italiana vem dos poetas. se for assim, quero esquecer o clichê dos franceses. Encontros e desencontros em cafés irreais, cidade de luz, barcos rústicos, escritores decadentes, poesia urbana, cabelo curto e boina, fragilidade romântica. Nah.
O soar estridente das vozes desafinadas, gotículas de saliva acompanhadas de palavrões românticos, o impulso violento, facismo disfarçado, o carinho exagerado, sentimento escancarado, e ao mesmo tempo, muito bem escondido. Va bene.

Me fascina Tommi. Não consegue se recuperar tão facilmente como Viola das idas infindas da mãe. Inseguro, tímido, mas nunca que se admita. Impulsivo, inquisidor. Desacreditado, desconfiado. Pessimista. Gosta de fugir da realidade. Gosta de se proteger. Gosta de negar. Tem medo de perguntar se está tudo bem. Tem medo dos próprios desejos. Gosta de fugir. Gosta de agradar. Não encontra a si próprio. Sabe muito bem como ser ele. Não gosta de chorar perto dos outros. Não diz que ama. Mas ama. E chora.

de quem eu falo, do personagem ou de mim?

novembro 02, 2008

achei que era ressaca e era cólica.

por que os piores dias do mês coincidem com meu período mentrual?
ah vá, se é pra sentir dor, que sinta tudo de uma vez.

outubro 26, 2008

domingo

ou não. tem dia que eu gosto de ficar todo o dia na cama. gosto de rodar pela cama de casal japonesa trezentos e sessenta graus, olhando cada detalhe do meu quarto que eu esqueci. minha fada lá em cima que finge que voa, mas nunca sai do lugar. os cartões postais que são só borrões coloridos sem sentido algum. o pedaço iluminado do mundo que invade pela sacada aberta. e a preguiça que desmorona. gosto de olhar todas as falhas do meu corpo, e gosto de saber que não há ninguém pra eu comentar sobre isso. posiciono a metade da cara no colchão, e imagino que apenas um olho inquieto fotagrafe todas as cenas mudas. gosto de deixar meu cabelo como ele bem quer, do jeito que acorda. eu esqueço como é não-fazer-nada. gosto de preservar esse tempo, se puder, 24 horas só para mim. como meus dias de semana, além das obrigações óbvias de duas escolas, tempo pra leitura só depois de comer a marmita requentada (isso quando não já gente para conversar), depois que chegar dar atenção à irmã (como regra diária), conversar com a mãe (se ela estiver disposta), seguir para mais obrigações que não levam à nada, querer ver filmes, ler livros, conhecer gente, aproveitar todas as oportunidades escassas de algumacoisalegal nessa cidade, querer escrever, querer filmar, querer participar de grandes projetos, querer achar um Deus por aí e só ver o quarto quando for deitar. ter sonhos estranhos, que me obrigam a acordar, e a me revirar, e me deixar com a sensação de não saber o que é real. entre tantas coisas, esqueço-me de mim mesma. preciso desse dia só para deitar e pensar, sozinha, em qualquer dúvida existencial ou bobeira ou me iludir. ou simplesmente só olhar, com olhos cansados, para poder descansar.

outubro 20, 2008

como faz

pra arrancar o que resta de você daqui de dentro?