prometia a tarde noite tenebrosa
chuvas tristes e pontes alagadiças
as pessoas murmuravam subúrbios
e murchavam morosas de antemão
a densa fumaça de nicotina totalitária
alertava o caos escuro da tempestade
os pássaros ressabiados se escondiam
e seu canto púbere não se entoava
cães ganiam gemidos e preocupados
escolhiam túneis, viadutos, telhados
em vão.
a tarde se finou, enfim,
em esplendor
presenteou às criaturas vivas
o halo da brisa.
o céu azulado e as folhas das árvores
enfim calmas.
quieta e tranquila a tarde
caiu em beleza.
e a tempestade que assombrava
se dissipou.
agosto 23, 2013
agosto 15, 2013
release do nascente
fezes foi o termo que encontrei para juntar tais textos sob uma ótica. fezes, não no sentido escatológico, mas sim na sua função primordial. fezes como o produto de um processo de digestão.
o processo de digestão, como aprendemos na escola, tem seus nomes e suas etapas. o tempo decorre em torno de um objeto esquizofrênico, em que precisei escrever para engolir. o resultado não é nada mais que a colagem irregular de pequenos processos. um registro em fluxo de consciência.
as fezes pode ser lida em qualquer ordem, assim penso, já que provém de um blog. e o blog define o formato dos textos: curtos, com erros, despreocupados com diagramação convencional e possibilitando uma leitura não-linear.
o produto que apresento, as fezes, começa a partir do seu fim. é a partir do fim que é possível reorganiza-los a fim de dar alguma coerência. chegar ao começo de tudo não é necessariamente compreender o todo; mas o fluxo de consciência ganha a dimensão de memória.
as fezes quando não descartadas, mas salvas, em uma compilação de textos - que se pretendem dialogar entre si. e que, vivas como um único bloco, é a prova da memória sempre em fluxo.
mariana.sral@gmail.com
azulou.blogspot.com
azulou.blogspot.com
(um cigarro antes e um depois para suportar e entrar no jogo; voilà, oxalà, etc.)
agosto 13, 2013
e até
olá querido, tudo bem? uma puta saudades de você andei sentindo, meio assim, e pensei - por que não? lhe escrever umas boas doses de palavras. sei que não fomos íntimos não sei nem se chegamos a ser amigos lembro-me de uma empatia estranha, querido, chegávamos a comentar, certa vez, talvez, que viemos do mesmo planeta: nesse universo enorme eu e você do mesmo planetinha. que besteira. essa mania de se achar alienigina, estrangeiro, fora de tudo, fora do mundo. você usava calças cáquis, é certo, é certo que quase ninguém as usava, não sei se fora o suficiente para ter vindo de outro planeta: cáqui e mosquitos de bunda laranja, boas doses de suco cítrico venenoso, ein? é certo também que você, querido, vinha de um lugar com nome e sobrenome, e tinha família, ascendência de não sei aonde. já eu vim dar umas voltas por pasárgada. que bobagem. vim dar umas voltas por lugares que não é bom citar: a definição é caga-regra por natureza. mas tudo anda a tudo bem. não há aqui mosquitos coloridos, muito menos vaginas coloridas. tudo anda a tudo bem. as vaginas são as mesmas, com as suas devidas diferenças. é curioso notar que uma vagina não é classista. não sei como devem ser com os pintos, talvez o mesmo. mas os pintos se erguem e saem, exteriores igual alieniginas, tem manias de se achar extra, de se achar out. um bando de bobagens, essa minha cartinha irônica, mas cheia de amores, espero que você entenda, relembre o tom de voz que uso - não quero ser a essa altura da vida, de jeito maneira, mal interpretada, se é que me entende, os conflitos me desgastam. se é que me entende, estou usando muito o recurso de ser entendida, com poucos palavras, quero deixar tudo às claras. espero resposta muito em breve, com algumas coisas metafísicas aqui e acolá, mas principalmente, me conte alguma coisa concreta, sua mãe, sua namorada, seu chefe. anda difícil pisar em ar. muitos beijos e até.
agosto 08, 2013
veja meu coração, quanto tempo. é preciso dizer algo alguma qualquer. não se deve dizer nada quando não se tem? se tem, ah sim, mas é que o. estou a falar de coisas clichês. engasga a garganta.
a autocrítica insuperável, a perda depois de um possível obviamente falido prêmio. quatro mil era minha passagem pra bolívia. para comprar. é.
mas que adianta, senhora, sua burra, sua birrinha de merdinha. se autocritica mas só sabe escrever de si, então. então? ah. cala. não é possí
tudo desmorona e o sono. queria escrever uma carta para uma amiga, não consigo. para várias. oquedizer? que os meus olhos, então. ah.
foda-se essa coisa de olhos sua
estúpida!!!!!!! tudo sai ruim. socorro de eu euzinha euzinha coração encabulado enclausurado socorro a mão mãozinha que a água águinha égua e éguinha trotam e afogam desfolegam, meu deus!
me paguem pra eu escrever melodramas. mas me paguem, porque essa idiotice coraçãozinho sofredor tristezinha de janela abre o ruído dos carros lá fora e o vento arruinando arruinando arruinando e seu olhar preto sobre mim: que diacho que todas elas tem olhares pretos pra cima de mim.
arruinando arruinando, que porc. porca. ruim. que chatice. pára. não sei mais talvez se eu tentasse, um gênero policial? marcos saiu do trabalho às seis, chegou em casa e encontrou o filho trepando com o. namorado. cachorro. deu um tiro. no. namorado? cachorro? o filho miava. tinha problemas retardatários. alguma comissão de diretos irá me julgar, sim sim sim sim, esfregou as mão silenciosas brancas a pedra preta do anel refletia a maldade jugular dos olhos de marcos. pegou o. filho, namorado, cachorro, a comissão de direitos humanos. trepou.
que babaca trepar e trepar você diz escreve. uma adolesc. ah!
não-é-possível, não sei pra quem faço isso agora
agora acho que é só alguma necessidade babacas
de ver as letras sendo escritas nesse espaço bran
mas nada, nada, nada, nada, nada nenhuma conclusão nenhuma lamentação nenhuma narrativazinha. a salvação............. perdida. tudo aqui, pode entrar, é varejo. varejo eis o nome do texto. pode conferir, surgiu agora. varejo. só não tenho certeza se varejo é o que eu quero dizer: aquilo que se vende de monte ou se isso é atacado. mas como varejo veio primeiro foi. eis aqui a gênese desta merdinha que lhes escreve para si mesma mas esperando o outro os olhos pretinhos espreitarem zouidinhos. gênese da farsa, da idiotice.
FELIZES SÃO OS IDIOTAS.
tenho que me controlar pra não escrever frases babacas e de efeitos efeitos efeitos onomatopeias bestas e etc. e etc também, etc. sem etc e etc. e sem meta-piada. sem sem sem sem sem. e repetições escrotas. isso não é um poema prosa prosa poema você. é. banal.
e também pra não auto depreciar fingir dózinha ai.
resta parar. PARA. para.!
que babaca trepar e trepar você diz escreve. uma adolesc. ah!
não-é-possível, não sei pra quem faço isso agora
agora acho que é só alguma necessidade babacas
de ver as letras sendo escritas nesse espaço bran
mas nada, nada, nada, nada, nada nenhuma conclusão nenhuma lamentação nenhuma narrativazinha. a salvação............. perdida. tudo aqui, pode entrar, é varejo. varejo eis o nome do texto. pode conferir, surgiu agora. varejo. só não tenho certeza se varejo é o que eu quero dizer: aquilo que se vende de monte ou se isso é atacado. mas como varejo veio primeiro foi. eis aqui a gênese desta merdinha que lhes escreve para si mesma mas esperando o outro os olhos pretinhos espreitarem zouidinhos. gênese da farsa, da idiotice.
FELIZES SÃO OS IDIOTAS.
tenho que me controlar pra não escrever frases babacas e de efeitos efeitos efeitos onomatopeias bestas e etc. e etc também, etc. sem etc e etc. e sem meta-piada. sem sem sem sem sem. e repetições escrotas. isso não é um poema prosa prosa poema você. é. banal.
e também pra não auto depreciar fingir dózinha ai.
resta parar. PARA. para.!
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