e agora, o que vem?
será justo colocar toda a causa dessa angústia em possíveis hormônios descontrolados? ser triste e ser mulher é uma coisa um tanto difícil. difícil de saber se está triste por estar ou se tem uma explicação biológica para isso. acho isso um tanto chato. deve ser por isso que descarto biologia das minhas opções para o futuro - mesmo fazendo e gostando Meio Ambiente. gosto das sensações sem lógica, prefiro a alma ao corpo. e por que alminha, alma minha, está assim tão acizentada? parece que o humor muda com o tempo que faz lá fora. parece que o céu comanda nosso coração. mas essa perspectiva é também um tanto naturalista. oras bolas! por que diabos eu tento achar explicações - mesmo que sejam abstratas - para os meus sentimentos? deixem-me sentir, assim, por si só. mesmo que for insuportável, sentir o intolerável... se derramar em lágrimas enquanto a chuva ameaça vir. vem, chove... chove até nunca mais. que venham as tempestades.
agosto 03, 2008
maio 22, 2008
dos dias que quase não dormi,
porque vi Cama de Gato, Baixio das Bestas e Irreversível.
Vamos excluir Irreversível, e deixar nossos queridos nacionais. Não acho que todo mundo tenha estrutura e ânimo para vê-los. Não acho nem que o mundo todo precise vê-los. Acho que certas pessoas sim, para ver se esboça nelas um mínimo de reação. Reação pelo coletivo. Diferente de chorar porque o carinha largou a menininha, chorar porque é real, e é cruel, mas que nunca vai acontecer com você, pelo menos não sendo a vítima. Mas o fato é que acontece em outros lugares... e é impossível ignorar isso. Sentir aquela sensação de ser um grão de areia, de incapacidade, de que o mundo não tem solução, de que o ser humando é a pior criatura (e que se Deus existe, não faria tanta coisa ruim num ser só) - acompanhado de uma depressão, que se não tiver desprendimento o bastante, é capaz de levar à loucura. Acho fascinante, porém, que sejam nacionais. Para contrariar todos os jargões que brasileiro é babaca. Babaca é o filhodaputa que insiste em repetir isso. Como alguém disse outro dia, não existe brasileiro. O que existe são humanos, que são universais, e principalmente, inclassificáveis. De quem a gente diz quando se refere ao 'jeitinho brasileiro'? Ao povão? E que somos nós, então? Brasileiros esclarecidos, europeus ou americanos que, por incoerência do destino, nascemos no lugar errado? Vamos fazer o favor de esquecer essa história maldita que persegue toda nossa história. E a nossa história é sangrenta, suja, enfeitada para que se engane. O que existe é um povo enganado, estrupiado. E que cada vez mais não sabem o que é sofrer por uma causa conjunta, tentar mudar pelo todo, se alegrar por uma conquista popular - tirando os jogos da seleção. Isso que faz de uma nação, fraca e suscetível, individualista e sem perspectiva de futuro. Não há coletividade. E não estamos falando de periferia, esqueça a guerra do tráfico, a tropa de elite, a cidade de deus e o caralho todo. Estamos falando de garotos ricos. De garotos RICOS. Não saberia nem adjetivar eles de outro modo. Não digo que só garotos ricos que são ruins, e pobres são bons. Mas a questão é que todos eles estão aí na rua, praticando crueldades, soltos, mas o que fode no garoto rico é que, você sabe, ele sempre vai se safar. O pobre vai se foder, isso é invariavelmente certo, mas os outros...? E é nessa ferida que esses filmes - ma-ra-vi-lho-sos - tocam. Assim como Amarelo Manga.
Dos filmes mais assustadores e arrebatadores que eu vi, de te derrubar, realmente.
Mas que vale a pena - e eu já dei motivos o bastante para isso.
Só por favor, pelo menos, que tenham reação! Nem que seja inútil, é preciso querer reação!
Por isso que eu queria - e como queria - um dia conversar com ocê, Caio Blat.
Vamos excluir Irreversível, e deixar nossos queridos nacionais. Não acho que todo mundo tenha estrutura e ânimo para vê-los. Não acho nem que o mundo todo precise vê-los. Acho que certas pessoas sim, para ver se esboça nelas um mínimo de reação. Reação pelo coletivo. Diferente de chorar porque o carinha largou a menininha, chorar porque é real, e é cruel, mas que nunca vai acontecer com você, pelo menos não sendo a vítima. Mas o fato é que acontece em outros lugares... e é impossível ignorar isso. Sentir aquela sensação de ser um grão de areia, de incapacidade, de que o mundo não tem solução, de que o ser humando é a pior criatura (e que se Deus existe, não faria tanta coisa ruim num ser só) - acompanhado de uma depressão, que se não tiver desprendimento o bastante, é capaz de levar à loucura. Acho fascinante, porém, que sejam nacionais. Para contrariar todos os jargões que brasileiro é babaca. Babaca é o filhodaputa que insiste em repetir isso. Como alguém disse outro dia, não existe brasileiro. O que existe são humanos, que são universais, e principalmente, inclassificáveis. De quem a gente diz quando se refere ao 'jeitinho brasileiro'? Ao povão? E que somos nós, então? Brasileiros esclarecidos, europeus ou americanos que, por incoerência do destino, nascemos no lugar errado? Vamos fazer o favor de esquecer essa história maldita que persegue toda nossa história. E a nossa história é sangrenta, suja, enfeitada para que se engane. O que existe é um povo enganado, estrupiado. E que cada vez mais não sabem o que é sofrer por uma causa conjunta, tentar mudar pelo todo, se alegrar por uma conquista popular - tirando os jogos da seleção. Isso que faz de uma nação, fraca e suscetível, individualista e sem perspectiva de futuro. Não há coletividade. E não estamos falando de periferia, esqueça a guerra do tráfico, a tropa de elite, a cidade de deus e o caralho todo. Estamos falando de garotos ricos. De garotos RICOS. Não saberia nem adjetivar eles de outro modo. Não digo que só garotos ricos que são ruins, e pobres são bons. Mas a questão é que todos eles estão aí na rua, praticando crueldades, soltos, mas o que fode no garoto rico é que, você sabe, ele sempre vai se safar. O pobre vai se foder, isso é invariavelmente certo, mas os outros...? E é nessa ferida que esses filmes - ma-ra-vi-lho-sos - tocam. Assim como Amarelo Manga.
Dos filmes mais assustadores e arrebatadores que eu vi, de te derrubar, realmente.Mas que vale a pena - e eu já dei motivos o bastante para isso.
Só por favor, pelo menos, que tenham reação! Nem que seja inútil, é preciso querer reação!
Por isso que eu queria - e como queria - um dia conversar com ocê, Caio Blat.
maio 04, 2008
março 12, 2008
Amores Expressos, amores estranhos
se você não entende nada de cinema como eu, e tem a leve impressão que cinema oriental tem poucos diálagos e é aquele filme paradão, cult demais, coisa e tal, não se leve por isso ao ver Amores Expressos do Wong Kar-Wai! (se você entende taanto de cinema, o que faz aqui?)
eu resolvi vê-lo numa tediosa noite de domingo (nem tanto, pois precisava dormir pra segundona) e me surpreendi.
conta a história de dois policiais, o rompimento com o seu par e a nova paixão estranha. é um filme de amor com dois policiais, certo, mas não fala nada da profissão deles, e nem trata do amor do jeito que ele é retratado ultimamente, com toda aquela coisa carnal envolvida. não me lembro de cenas de sexo nem mesmo de beijos. mas fala de paixões. sou louca por filmes assim, como Closer que não mostra sexo, mas só fala disso, praticamente. e melhor! as histórias dos dois policiais NÃO se encontram (dar um tempo de toda essa safra eoooorme de filmes franceses de encontros de histórias diferentes, gente, CAN-SOU), elas são distintas, apesar de ter os seus pontos em comuns, como eu disse.
O mais legal do filme são todas as coisas estranhas, digo, se você gostou de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, deveria realmente ver esse filme. 30 latas de abacaxi (eca!) enlatado com a mesma data de vencimento, peixes pros aquários dos outros e tantas outras coisas estranhas e fascinantes que NÃO (e graças a deus) tem explicação, são assim só, por elas mesmas. É que toda essa coisa me fascina mesmo, quem dera eu ter toda essa criatividade.
Além do mais toca mais do que qualquer coisa uma das músicas pops mais legais do mundo: California Dream do The Mamas and the Papas (ou aquela musiquinha remixada que você ouviu no rádio no verão passado).
ah! talvez eu fale grandes besteiras dos filmes e não saiba analisar eles direitos, mas esses amores, esses amores são tão lindos! fui dormir meio atormentada, com dó de ter que ir dormir e não poder pensar a noite inteira da infinidades desses amores expressos, amores estranhos.
eu resolvi vê-lo numa tediosa noite de domingo (nem tanto, pois precisava dormir pra segundona) e me surpreendi.
conta a história de dois policiais, o rompimento com o seu par e a nova paixão estranha. é um filme de amor com dois policiais, certo, mas não fala nada da profissão deles, e nem trata do amor do jeito que ele é retratado ultimamente, com toda aquela coisa carnal envolvida. não me lembro de cenas de sexo nem mesmo de beijos. mas fala de paixões. sou louca por filmes assim, como Closer que não mostra sexo, mas só fala disso, praticamente. e melhor! as histórias dos dois policiais NÃO se encontram (dar um tempo de toda essa safra eoooorme de filmes franceses de encontros de histórias diferentes, gente, CAN-SOU), elas são distintas, apesar de ter os seus pontos em comuns, como eu disse.
O mais legal do filme são todas as coisas estranhas, digo, se você gostou de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, deveria realmente ver esse filme. 30 latas de abacaxi (eca!) enlatado com a mesma data de vencimento, peixes pros aquários dos outros e tantas outras coisas estranhas e fascinantes que NÃO (e graças a deus) tem explicação, são assim só, por elas mesmas. É que toda essa coisa me fascina mesmo, quem dera eu ter toda essa criatividade.
Além do mais toca mais do que qualquer coisa uma das músicas pops mais legais do mundo: California Dream do The Mamas and the Papas (ou aquela musiquinha remixada que você ouviu no rádio no verão passado).
ah! talvez eu fale grandes besteiras dos filmes e não saiba analisar eles direitos, mas esses amores, esses amores são tão lindos! fui dormir meio atormentada, com dó de ter que ir dormir e não poder pensar a noite inteira da infinidades desses amores expressos, amores estranhos.
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